Primum non nocere

Hipócrates, ao redor do ano 430 aC, propôs aos médicos, no parágrafo 12 do primeiro livro da sua obra Epidemia:
"Pratique duas coisas ao lidar com as doenças; auxilie ou não prejudique o paciente" - ou seja, primum non nocere - primeiro de tudo, não provoque nenhum dano.
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quinta-feira, 15 de maio de 2008

57th Annual Scientific Sessions of the American College of Cardiology

Apresentação de vários ensaios clínicos no Encontro Anual do Colégio Americano de Cardiologia em Chicago IL de 30 de Março a 02 de Abril de 2008, incluindo os ensaios ONTARGET, ACCOMPLISH, ENHANCE e (JUPITER).


JUPITER examined the role of rosuvastatin (20 mg/day) in the primary prevention of cardiovascular disease among patients with low levels of LDL-cholesterol and elevated high-sensitivity C-reactive protein.

The trial was stopped early as evidence clearly showed a reduction in cardiovascular morbidity and mortality in patients treated with rosuvastatin compared with placebo.

Full study details to be published once final analysis of data is complete.

STUDY OUTCOMES:

Over 5,000 patients without evidence of cardiovascular disease and low to normal LDL-C, but elevated C-reactive protein were enrolled in the trial. The trial was stopped early based on a recommendation from an independent Data and Safety Monitoring Board due to unequivocal evidence of a reduction in cardiovascular morbidity and mortality in patients treated with rosuvastatin compared with placebo.

ONTARGET enrolled 25,620 high risk subjects aged > 55 with either established vascular disease or DM and end-organ damage into a large international randomized trial of angiotensin modulating therapy. Subjects received either ramipril 10 mg, telmisartan 80 mg or the full dose combination daily. Over a mean follow up of 56 months, telmisartan was found to be statistically non-inferior, clinically equivalent and better tolerated than ramipril while the combination was no better than ramipril alone but with greater side-effects! The results were consistent for all major components of the primary end-point, including myocardial infarction, stroke, heart failure hospitalisation and cardiovascular death and across all pre-defined patient subgroups (age, gender, risk, BP, DM, Hx of CAD). Physicians now have a choice between an ACE inhibitor or an ARB in CVD prevention in the “HOPE-type” patient.

STUDY OUTCOME:

Telmisartan was found to be statistically non-inferior, clinically equivalent and better tolerated than ramipril while the combination was no better than ramipril alone but with greater side-effects.

ACCOMPLISH examined the role of amlodipine/benazapril (5 mg/40 mg), compared with hydrochlorothiazide (HCTZ)/benazapril (12.5 mg/40 mg) in reducing cardiovascular morbidity and mortality in high-risk patients with systolic hypertension.
The trial was stopped early with a finding of a 20% reduction in many of the primary endpoints with amlodipine/benazapril compared with HCTZ/benazapril

STUDY OUTCOME:

Trial was terminated early due to a finding of a 20% reduction in the primary endpoint of cardiovascular mortality, stroke, myocardial infarction (MI), coronary revascularization, unstable angina, and resuscitation from death in the amlodipine/benazapril arm compared with the HCTZ/benazapril arm (p = 0.002). Cardiovascular death, stroke, and MI was also reduced by 20% (p = 0.007). All other endpoints, including cardiovascular mortality, nonfatal MI, nonfatal stroke, and resuscitated sudden death were similar between the two groups.


Beta-Bloqueadores no peri-operatório aumentam os riscos após cirurgia não-cardíaca

POISE Study Group. Effects of extended-release metoprolol succinate in patients undergoing non-cardiac surgery (POISE trial): a randomised controlled trial. The Lancet Early Online Publication, 13 May 2008

Beta-bloqueador – especificamente succinato de metoprolol, único usado no estudo – aumenta o risco de acidente vascular cerebral e morte não-cardiovascular.


In an international, double-blind, industry-supported study, some 8350 patients with (or at risk for) atherosclerotic disease were randomized preoperatively to a 30-day regimen of extended-release metoprolol or placebo. Patients already receiving beta-blockers were excluded.

By 30 days, patients on metoprolol showed favorable results for the primary endpoint (a composite of cardiovascular death, nonfatal MI, and nonfatal cardiac arrest) — but they had significantly higher rates of death and stroke.

The authors write that current perioperative guidelines ought to be reconsidered. Commentators agree that the regimen used carries more risk than benefit; however, they recommend a lower-dose long-acting regimen that is "titrated to effect" at least 7 days before surgery. That regimen, they say, "is associated with overall benefit compared to risk."

Asked to comment, Journal Watch Cardiology editor-in-chief Harlan Krumholz says that using extended-release metoprolol to reduce risk in patients undergoing noncardiac surgery "has suddenly become a lot more controversial than it was yesterday. If this strategy is contemplated, then it should be done with the patient's knowledge of the potential trade-offs in outcomes."


quinta-feira, 7 de junho de 2007

Associação de aspirina e medicamentos antiinflamatórios não esteróides e não aspirina com incidência de câncer e mortalidade

Bardia A, Ebbert JO, Cerhan JR et al. Association of Aspirin and Nonaspirin Nonsteroidal Anti-inflammatory Drugs With Cancer Incidence and Mortality. JNCI Journal of the National Cancer Institute. June 6, 2007 99(11):881-889.

Conhecimento prévio ao estudo: Os benefícios preventivos para câncer da aspirina e medicamentos antiinflamatórios não hormonais (AINH) não estão completamente definidos e podem variar de acordo com a história de tabagismo.

Estudo: Estudo prospectivo de coorte sobre o uso de aspirina e AINH, incidência de câncer e mortalidade global e por doença cardíaca coronariana entre mulheres residentes no estado de Iowa, as quais participaram do Iowa Women’s Health Study. História de tabagismo também foi incorporada na análise.

Conhecimento adquirido com o estudo: AINHs não aspirina não foram associados com qualquer resultado neste estudo. Entretanto, o uso de aspirina foi inversamente associado com incidência de câncer e doença relacionada com câncer ou doença cardíaca coronariana e mortalidade global. As associações foram discretamente mais fortes, mas não estatisticamente significativas, entre prévios ou nunca fumantes do que entre fumantes atuais.

Atenção para variações quanto a dose dos medicamentos empregados e também à restrição da população de mulheres brancas na pós-menopausa, o que pode não refletir o resultado para população em geral.

Os autores principais são membros dos Departments of Internal Medicine e Health Sciences Research, University of Minnesota, Minneapolis, MN, USA. Autor responsável: Jon O. Ebbert, MD - ebbert.jon@mayo.edu.

segunda-feira, 30 de abril de 2007

Padrões de ingesta de bebidas alcoólicas e mortalidade: Resultados de um estudo de coorte de grande escala, baseado na população, no Japão

Marugame T, Yamamoto S, Tsugane S et al for the Japan Public Health Center-based Prospective Study Group. American Journal of Epidemiology. May 1, 2007;165(9):1039-1046.

Conhecimento prévio ao estudo: Há uma crença social no Japão que um “feriado para o fígado”, abstenção de bebidas alcoólicas por mais do que dois dias na semana, é benéfico para bebedores sistemáticos.

Estudo: Estudo prospectivo, longitudinal, de coorte, baseado na população para avaliar a hipótese que, em termos de mortalidade de todas as causas, o consumo de bebidas alcoólicas entre 1 a 4 dias na semana é menos danoso do que diariamente (5 a 7 dias), bebendo a mesma quantidade de bebidas alcoólicas. Participaram 88.746 indivíduos Japoneses (41.702 homens e 47.044 mulheres) com idades entre 40 e 69 anos no início do estudo, respondendo a um questionário auto-administrado e seguidos entre 1990 e 2003.

Entre os indivíduos masculinos com consumo regular de bebidas alcoólicas por mais de um dia por semana, bebedores leves (< productid="5 a" st="on">5 a 7 dias na semana, enquanto não se observou aumento do risco entre aqueles que consumiam álcool em menos do que 4 dias na semana. A razão de chances para bebedores que consumiam álcool 5 a 7 dias por semana foi de 1,29 para 300-449g por semana e 1,55 para igual ou mais de 450g por semana, quando comparados com aqueles bebedores ocasionais que consumiam álcool 1 a 3 dias por mês.

Conhecimento adquirido com o estudo: Entre consumidores pesados de bebidas alcoólicas (acima de 300g/semana) o risco de mortalidade de todas as causas é maior naqueles que bebem entre 5 a 7 dias por semana do que os outros que bebem a mesma quantidade, mas em até 4 dias na semana.

Força de evidência: (A)* - Estudo clínico prospectivo, longitudinal, de uma grande coorte populacional, seguidos por um longo período, sem perda significativa de seguimento. Metodologia, coleta dos dados, seguimento e tratamento estatístico adequados. Sistemas organizados de saúde com banco de dados projetado e atualizado do ponto de vista epidemiológico permitem grandes estudos como acima, com mínima perda de seguimento. Excelente aplicabilidade clínica.

Os autores principais são membros do Cancer Information Services and Surveillance Division, Center for Cancer Control and Information Services e da Epidemiology and Prevention Division, Research Center for Cancer Prevention and Screening, National Cancer Center, Tokyo, Japan. Autor responsável: Dr. Tomomi Marugame – tmarugam@gan2.res.ncc.go.jp.