Primum non nocere

Hipócrates, ao redor do ano 430 aC, propôs aos médicos, no parágrafo 12 do primeiro livro da sua obra Epidemia:
"Pratique duas coisas ao lidar com as doenças; auxilie ou não prejudique o paciente" - ou seja, primum non nocere - primeiro de tudo, não provoque nenhum dano.

domingo, 2 de dezembro de 2007

Hemorragia por varizes esofágicas: meta-análise dos tratamentos

Ligamento da banda varicosa versus beta-bloqueadores para prevenção primária de hemorragia por varizes esofágicas: uma meta-análise

O ligamento das varizes esofágicas (LVE) pode reduzir a taxa de primeira hemorragia em 45-52% comparado com beta-bloqueadores (BBs). Meta-análise de novos estudos comparativos mostraram que o risco relativo para primeiro sangramento por varizes esofágicas favorece o LVE, com um número necessário para tratar de 13, entretanto não foram observadas diferenças entre mortalidade relacionada com os sangramentos ou mortalidade de qualquer causa.

Os autores concluíram que o ligamento das varizes esofágicas é superior na prevenção do primeiro sangramento, com poucos efeitos colaterais resultando na descontinuação do tratamento.

sábado, 10 de novembro de 2007

Tratamento efetivo da paralisia facial periférica aguda idiopática com uso precoce de corticosteróides

Estudo randomizado, duplo-cego, comparativo entre prednisolona (25mg 2x ao dia) e aciclovir (400mg 5x ao dia), prednisolona e aciclovir juntos e contra placebo duplo, conduzido na Escócia com 551 pacientes com paralisia facial periférica aguda idiopática (Paralisia de Bell) iniciada em até 72hs.

No grupo de placebo duplo, 65% dos pacientes se recuperaram plenamente em 3 meses e 85% em 9 meses. O tratamento com prednisolona aumentou as taxas de recuperação significativamente para 83% em 3 meses e 94% em 9 meses. A adição do aciclovir não resultou em nenhuma melhora sobre o placebo ou a prednisolona. Os eventos adversos foram de pequena importância (vertigem, dispepsia e náusea).

quarta-feira, 24 de outubro de 2007

Vacina contra hepatite por vírus A versus imunoglobulina para profilaxia pós-exposição

O que é melhor? Fazer a vacina indistintamente na população contra hepatite por vírus A ou administrar imunoglobulina (anticorpos) para evitar a eclosão da hepatite naquelas pessoas que potencialmente tenham se contaminado com o vírus A?

Esse estudo comparou a vacinação contra hepatite por vírus A e imunoglobulina administrada até 14 dias depois da exposição ao vírus. Participaram do estudo 1.090 indivíduos suscetíveis à hepatite por vírus A, os quais foram randomizados para uma das duas técnicas.

Os resultados mostraram que as baixas taxas de hepatite A em ambos os grupos indicaram que ambas as técnicas fornecem boa proteção; entretanto ocorreu uma ligeira maior taxa de hepatites A entre os indivíduos que receberam a vacina (25 versus 17). Limitações do estudo, como certo monitoramento dos indivíduos que esperavam a imunoglobulina caso se contaminassem podem forçar um viés fora da realidade; já que muitas vezes escapa do indivíduo comum de buscar recurso caso tenha entrado em contato com um doente com hepatite A. Por outro lado, a vacina tem um longo tempo de proteção – situação que não foi avaliada aqui e representa uma alternativa razoável para a profilaxia com imunoglobulina em várias situações particulares.

domingo, 21 de outubro de 2007

O tratamento com CPAP em pacientes com apnéia obstrutiva do sono melhora os parâmetros relacionados com aterosclerose.

Excelente estudo conduzido pelos investigadores do Instituto do Coração (InCor) da Faculdade de Medicina da USP mostrando que o tratamento com pressão positiva contínua na via aérea (CPAP) em pacientes com apnéia obstrutiva do sono (AOS) por um período de 4 meses modificou parâmetros precoces relacionados com aterosclerose (espessura da média-íntima das carótidas, velocidade da onda de pulso, proteína C reativa e nível das catecolaminas – adrenalina / noradrenalina). Esses resultados indicam que, conforme já demonstrado em outros estudos, a AOS é um fator de risco independente para aterosclerose e, pela primeira vez, ficou demonstrado que o seu efetivo tratamento reduz marcadores precoces de aterosclerose.

sábado, 20 de outubro de 2007

Efeito do tegaserode (Zelmac®) sobre a função sensorial e motora gástrica em pacientes com dispepsia funcional (má digestão).

O tegaserode (Zelmac®), um agonista do receptor para serotonina tipo 4, estimula a motilidade gastrintestinal e aumenta os volumes gástricos antes e depois das refeições em indivíduos saudáveis. Nesse estudo, indivíduos saudáveis (12) e com dispepsia (16) receberam 7 dias de tegaserode, 6mg 2x ao dia ou 7 dias de placebo. Observou-se uma melhora da complacência gástrica pós-prandial em pacientes dispépticos e uma melhor acomodação gástrica em indivíduos saudáveis. Essa melhora na função motora gástrica proximal sugere um papel benéfico do tegaserode em pacientes com dispepsia funcional.

Novo agente melhora a sobrevivência global em homens com câncer de próstata hormônio-resistente.

Homens com câncer de próstata hormônio-resistente (CPHR) atingiram uma redução de 45% no risco de morte quando eles foram tratados com um medicamento ainda experimental, o ZD4054, comparado com placebo. Trata-se de um estudo de fase 2, apresentado recentemente na 14º. European Cancer Conferece (ECCO), compreendendo 312 homens assintomáticos ou levemente sintomáticos com CPHR e metástases ósseas. O uso da medicação determinou uma redução de 45% no risco de morte comparado com placebo e uma sobrevida global média de 24,5 meses comparado com 17,3 meses com placebo. O ZD4054 bloqueia o receptor para endotelina A, podendo inibir a proliferação celular tumoral, a sobrevivência das células tumorais e a formação de metástases ósseas.

quinta-feira, 30 de agosto de 2007

Aspirina 1.000mg efervescente melhor que o sumatriptano na crise aguda de enxaqueca.

Aspirina efervescente 1.000mg é tão efetiva quanto o sumatriptano 50mg para o tratamento das crises agudas de enxaqueca e tem um perfil melhor quanto aos para efeitos.

Estudo de meta-análise de três ensaios clínicos randomizados, placebos-controlados, de dose única para enxaqueca, comparando 1.000mg de aspirina efervescente e 50mg de sumatriptano.

Os resultados mostraram que ambas as medicações foram efetivas no tratamento da crise aguda da enxaqueca, sem diferenças significativas entre elas, entretanto, o tratamento com aspirina efervescente foi associado com menor incidência de eventos adversos do que com o sumatriptano.

In Christian Lamp, M. Voelker and H. C. Diener. Efficacy and safety of 1,000mg effervescent aspirin: individual patient data meta-analysis of three trials in migraine headache and migraine accompanying symptoms. Journal of Neurology. June 2007; 254(6):705-712. (doi:10.1007/s00415-007-0547-2) © Springer

quarta-feira, 29 de agosto de 2007

Ressuscitação por fluidos com albumina é pior do salina, em pacientes com lesão cerebral traumática.

Estudo de re-análise dos resultados do Saline versus Albumin Fluid Evaluation study com 460 pacientes com lesões cerebrais traumáticas, nos quais a ressuscitação por fluido foi efetuada randomicamente com ou albumina ou salina. Ambos os grupos estavam pareados quanto às características demográficas e severidade das lesões e foram seguidos por um tempo médio de 24 meses.

Os resultados confirmaram a sugestão inicial de que em pacientes criticamente doentes com lesão cerebral traumática, a ressuscitação de fluídos com albumina é associada com maiores taxas de mortalidade do que com solução salina.

In The SAFE Study Investigators. Saline or Albumin for Fluid Resuscitation in Patients with Traumatic Brain Injury. NEJM. August 30, 2007; 35(9):874-884

O Womens' Antioxidant Cardiovascular Study não encontrou reduções no risco de eventos cardiovasculares.

Embora dietas ricas em frutas e vegetáis são associadas com reduzido risco cardiovascular, estudos com suplementos de antioxidantes têm sido desapontadores. Nesse utilizou-se ácido ascórbico (vitamina C) 500mg/dia, vitamna E 600UI/dia e beta-caroteno 50mg em dias alternados. Participaram 8.171 mulheres com seguimento por 9 anos - amostra e tempo de follow-up expressivo.
Nenhum efeito significativo foi encontrado na prevenção de doenças cardiovasculares, em mulheres.

In Arch Intern Med 13/27 August 2007, 167:1610-1618. © 2007 American Medical Association. All rights reserved.
A Randomized Factorial Trial of Vitamins C and E and Beta Carotene in the Secondary Prevention of Cardiovascular Events in Women Results From the Women's Antioxidant Cardiovascular Study, Nancy R. Cook, Christine M. Albert, J. Michael Gaziano, Elaine Zaharris, Jean MacFadyen, Eleanor Danielson, Julie E. Buring, JoAnn E. Manson

Pílulas de Alertas®

- Consumo de grãos inteiros reduz o risco de Diabetes Mellitus

Estudo baseado no Nurses' Health Study com cerca de 160.000 mulheres com registro do consumo de grãos inteiros e incidência de diabetes no seguimento de 12 a 18 meses. Após esse período, as mulheres que ocupavam o mais alto quintil de ingesta de grãos inteiros apresentavam uma redução em 35% no risco ajustado para Diabetes Mellitus do tipo II, comparadas com as mulheres no mais baixo quintil, mesmo após ajustes para o índice de massa corpórea.
Na mesma publicação, há uma meta-análise de seis estudos prospectivos, incluindo homens e mulheres, indicando que o acréscimo de duas porções diárias de grãos inteiros é associado com uma redução de 21% no risco para diabetes.
In
Whole Grain, Bran, and Germ Intake and Risk of Type 2 Diabetes: A Prospective Cohort Study and Systematic Review de Munter JSL, Hu FB, Spiegelman D, Franz M, van Dam RM PLoS Medicine Vol. 4, No. 8, e261 doi:10.1371/journal.pmed.0040261