Primum non nocere

Hipócrates, ao redor do ano 430 aC, propôs aos médicos, no parágrafo 12 do primeiro livro da sua obra Epidemia:
"Pratique duas coisas ao lidar com as doenças; auxilie ou não prejudique o paciente" - ou seja, primum non nocere - primeiro de tudo, não provoque nenhum dano.
Mostrando postagens com marcador Aspirina. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Aspirina. Mostrar todas as postagens

quinta-feira, 30 de agosto de 2007

Aspirina 1.000mg efervescente melhor que o sumatriptano na crise aguda de enxaqueca.

Aspirina efervescente 1.000mg é tão efetiva quanto o sumatriptano 50mg para o tratamento das crises agudas de enxaqueca e tem um perfil melhor quanto aos para efeitos.

Estudo de meta-análise de três ensaios clínicos randomizados, placebos-controlados, de dose única para enxaqueca, comparando 1.000mg de aspirina efervescente e 50mg de sumatriptano.

Os resultados mostraram que ambas as medicações foram efetivas no tratamento da crise aguda da enxaqueca, sem diferenças significativas entre elas, entretanto, o tratamento com aspirina efervescente foi associado com menor incidência de eventos adversos do que com o sumatriptano.

In Christian Lamp, M. Voelker and H. C. Diener. Efficacy and safety of 1,000mg effervescent aspirin: individual patient data meta-analysis of three trials in migraine headache and migraine accompanying symptoms. Journal of Neurology. June 2007; 254(6):705-712. (doi:10.1007/s00415-007-0547-2) © Springer

quinta-feira, 7 de junho de 2007

Associação de aspirina e medicamentos antiinflamatórios não esteróides e não aspirina com incidência de câncer e mortalidade

Bardia A, Ebbert JO, Cerhan JR et al. Association of Aspirin and Nonaspirin Nonsteroidal Anti-inflammatory Drugs With Cancer Incidence and Mortality. JNCI Journal of the National Cancer Institute. June 6, 2007 99(11):881-889.

Conhecimento prévio ao estudo: Os benefícios preventivos para câncer da aspirina e medicamentos antiinflamatórios não hormonais (AINH) não estão completamente definidos e podem variar de acordo com a história de tabagismo.

Estudo: Estudo prospectivo de coorte sobre o uso de aspirina e AINH, incidência de câncer e mortalidade global e por doença cardíaca coronariana entre mulheres residentes no estado de Iowa, as quais participaram do Iowa Women’s Health Study. História de tabagismo também foi incorporada na análise.

Conhecimento adquirido com o estudo: AINHs não aspirina não foram associados com qualquer resultado neste estudo. Entretanto, o uso de aspirina foi inversamente associado com incidência de câncer e doença relacionada com câncer ou doença cardíaca coronariana e mortalidade global. As associações foram discretamente mais fortes, mas não estatisticamente significativas, entre prévios ou nunca fumantes do que entre fumantes atuais.

Atenção para variações quanto a dose dos medicamentos empregados e também à restrição da população de mulheres brancas na pós-menopausa, o que pode não refletir o resultado para população em geral.

Os autores principais são membros dos Departments of Internal Medicine e Health Sciences Research, University of Minnesota, Minneapolis, MN, USA. Autor responsável: Jon O. Ebbert, MD - ebbert.jon@mayo.edu.

quarta-feira, 9 de maio de 2007

Dose de aspirina para prevenção de doença cardiovascular. Uma revisão sistemática

Campbell CL, Smyth S, Steinhubl SR et al. Aspirin Dose for the Prevention of Cardiovascular Disease. A Systematic Review. JAMA. May 9, 2007;297(18):2018-2024.

Conhecimento prévio ao estudo: Milhões de indivíduos adultos no mundo todo usam regularmente a aspirina para prevenção de doença cardiovascular a longo prazo, frequentemente com doses que variam de 81mg/dia a 325mg/dia. Permanece uma controvérsia a cerca da dose diária a longo prazo mais apropriada.

Estudo: Revisão sistemática ampla da literatura até Fevereiro de 2007 através dos principais bancos de dados em língua inglesa, pesquisando ensaios clínicos e bibliografias de relatos pertinentes de dados originais e artigos de revisão.

Os dados farmacológicos demonstram que dosagens de longo prazo da aspirina tão baixas quanto 30mg/dia já são adequadas para plenamente inibiram a produção de tromboxane plaquetária, entretanto, verifica-se que doses tão altas quanto 1.300mg/dia são aprovadas para uso.

A evidência disponível, predominantemente de estudos observacionais de prevenção secundária, suporta que dosagens maiores do que 75 a 81mg não aumentam a eficácia, enquanto que doses maiores estão associadas com um aumento da incidência de eventos hemorrágicos, primariamente relacionados à toxicidade do trato intestinal.

Conhecimento adquirido com o estudo: Os dados disponíveis atualmente não suportam o uso rotineiro de longo prazo de dosagens da aspirina maiores do que 75 a 81mg para a prevenção de doença cardiovascular. Altas doses não têm efeito melhor na prevenção e são associadas a riscos aumentados de hemorragia gastrintestinal.

Comentário: Estudo de revisão sistemática bastante amplo, bem conduzido e de alta qualidade técnica, entretanto, os principais resultados se basearam em estudos observacionais e não em ensaios clínicos randomizados, controlados, os quais são escassos. O suporte à evidência é moderado, mas é reforçado pelos dados farmacológicos. Boa aplicabilidade clínica.

Os autores principais são membros do Gill Heart Institute, University of Kentucky, Lexington, USA.

sábado, 7 de abril de 2007

Uso da aspirina por longo tempo e mortalidade em mulheres

Chan AT, Manson JE, Fuchs CS et al. Long-term Aspirin Use and Mortality in Women. Arch Intern Medicine. March 26, 2007;167(6):562-572.

Conhecimento prévio ao estudo: Apesar de bem consolidado o benefício da aspirina em baixa dose em homens, a influência do uso da aspirina por longo tempo sobre a mortalidade em mulheres permanece incerto.

Estudo: Estudo prospectivo, longitudinal, de caso controle, inserido no Nurses’ Health Study, do qual participaram 79.439 mulheres que não tinham história de doença cardiovascular ou câncer. Os dados clínicos e sobre medicações foram fornecidos a cada 2 anos desde 1980. Verificou-se o risco relativo (RR) de morte de acordo com o uso de aspirina antes do diagnóstico de doença cardiovascular ou câncer incidentes e durante o período correspondente para cada indivíduo controle.

Durante 24 anos, foram documentadas 9.477 mortes de todas as causas. Em mulheres que relataram o uso corrente de aspirina, o RR multivariado de morte de todas as causas foi 0,75 comparado com mulheres que nunca usaram aspirina regularmente. A redução de risco foi mais aparente para morte de doença cardiovascular (RR, 0,62) do que morte por câncer (RR, 0,88). O uso de aspirina por 1 a 5 anos foi associado com reduções significativas na mortalidade cardiovascular (RR, 0,75). Ao contrário, uma redução significativa no risco de morte por câncer não foi observado até depois de 10 anos do uso de aspirina (P= 0,005). O benefício associado com a aspirina foi confinado a baixas e moderadas doses e foi significativamente maior em participantes de mais idade (P= 0,02).

Conhecimento adquirido com o estudo: Em mulheres, doses baixas a moderadas de aspirina são associadas com significativamente menor risco de mortaçlidade de todas as causas, particularmente em mulheres com mais idade e naquelas com fatores de risco cardíacos. Um benefício significativo é evidente dentro de 5 anos para doença cardiovascular, enquanto que um modesto benefício para câncer não é aparente até depois de 10 anos do uso de aspirina.

Força de evidência: (A)* - Estudo clínico prospectivo, longitudinal, observacional, populacional, de caso controle, com uma amostra de alta significância, tanto nos casos quanto nos controles. Metodologia adequada e excelente tratamento estatístico. O controle por parte dos pesquisadores determinou uma baixa perda de seguimento, permitindo alta significância nos resultados. Excelente aplicabilidade clínica.

Os autores são membros da Gastrointestinal Unit, Massachusetts General Hospital and Harvard Medical School, da Division of Preventive Medicine e Channing Laboratory, Department of Medicine, Brigham and Women's Hospital and Harvard Medical School, do Department of Epidemiology, Harvard School of Public Health e do Department of Medical Oncology, Dana-Farber Cancer Institute, Boston, Mass.