Primum non nocere

Hipócrates, ao redor do ano 430 aC, propôs aos médicos, no parágrafo 12 do primeiro livro da sua obra Epidemia:
"Pratique duas coisas ao lidar com as doenças; auxilie ou não prejudique o paciente" - ou seja, primum non nocere - primeiro de tudo, não provoque nenhum dano.
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segunda-feira, 2 de julho de 2007

Atualizações em pílulas - III

- Aumento estético das mamas e aumento da taxa de suicídio: Estudo de revisão de seis investigações epidemiológicas completadas nos últimos anos sobre implantes estéticos de mama. Através dos estudos, a taxa de suicídio de mulheres que receberam implantes mamários estéticos é aproximadamente o dobro da taxa esperada baseada em estimativas da população geral. Pesquisas adicionais são necessárias, entretanto, sugere-se que mulheres interessadas em aumento das mamas que apresentem uma história de psicopatologia ou aquelas suspeitas de terem alguma forma de psicopatologia deveriam ser submetidas a uma avaliação de saúde mental antes da cirurgia. In Sarwer DB et al. Cometic Breast Augmentation and Suicide. Am J Psychiatry. July 2007;164:1006-1013.

- Desejo de cocaína é reduzido com o uso de N-acetilcisteína: Ensaio clínico piloto, randomizado, duplo cego, controlado contra placebo, com dois grupos paralelos e cruzado, com 15 participantes, os quais usaram ou N-acetilcisteína ou placebo. Os pacientes que usaram N-acetilcisteína mostraram menos desejo de consumo e menos interesse em resposta às técnicas usadas (cue reactivity). Esses resultados são consistentes com dados pré-clínicos e suportam o uso da N-acetilcisteína como um tratamento para dependência de cocaína. In LaRowe SD et al. Is cocaine desire reduced by N-acetylcysteine? Am J Psychiatry. July 2007; 164:1115-1117.

- Relatório OMS: Risco para tromboembolismo em longas viagens de avião é de 1 em 6.000: O risco de tromboembolismo aproximadamente dobre após uma viagem aérea que dure mais de 4hs, mas ainda é baixo – cerca de 1 em 6.000. Esse relatório é baseado em 3 extensos estudos epidemiológicos e dois estudos fisiopatológicos, ressaltando que o risco também aumenta com outras formas de viagens, seja carro, ônibus ou trem, onde os passageiros ficam sentados imóveis por longos períodos. Esse risco permanece elevado por até 2 meses depois da viagem e tende a ser maior em indivíduos obesos, em mulheres usando anticoncepcionais orais, na presença do fator de mutação V de Leiden e nos extremos de altura (abaixo de 1,58 e acima de 1,89m). In WHO press release.

- Vacina contra meningite recomendada como rotina para todos os adolescentes: O comitê de aconselhamento sobre práticas de imunizações do CDC recomenda que todos os adolescentes, com idades entre 11 e 18 anos, deveriam receber rotineiramente uma dose da vacina conjugada meningocócica (MCV4). Em função do suprimento limitado, a prioridade era dada para iniciantes no colégio e para idades entre 11 e 12 anos. Com a expectativa de uma maior disponibilidade da vacina MCV4 o CDC decidiu por estender para todo o grupo de adolescentes. In Associated Press.

quarta-feira, 4 de abril de 2007

Acidente vascular encefálico em adultos jovens que abusam de anfetaminas ou cocaína. Um estudo populacional de pacientes hospitalizados

Westover AN, McBride S and Haley RW. Stroke in Young Adults Who Abuse Amphetamines or Cocaine. A Population-Based Study of Hospitalized Patients. Arch Gen Psychiatry. April, 2007;64(4):495-502.

Conhecimento prévio ao estudo: O abuso de drogas estimulantes está aumentando no oeste dos Estados Unidos. Embora números relatos de casos e estudos em animais sugerem uma ligação dessas drogas com acidente vascular encefálico, estudos epidemiológicos têm mostrado resultados conflitantes.

Estudo: O objetivo do estudo foi testar a hipótese de que adultos jovens que abusam de anfetaminas ou cocaína estão em alto risco para acidente vascular encefálico (AVE). Trata-se de um estudo prospectivo transversal baseado em um banco de dados de 3.148.165 altas hospitalares de hospitais Texanos, no qual estimou-se a tendência, de 1 Janeiro de 2000 a 31 de Dezembro de 2003, no abuso de várias drogas e de AVE. Foram aplicados modelos de regressão logística separados para os fatores de risco para AVE hemorrágicos (n= 937) e isquêmicos (n= 998) de indivíduos com idades entre 18 e 44 anos em 2003 e para o risco de mortalidade em pacientes com AVE.

Os resultados mostraram que de 2000 para 2003, a taxa de aumento de abuso foi maior para as anfetaminas, seguida pela cannabis e cocaína. A taxa de AVE também aumentou, particularmente entre os usuários de anfetaminas. Em 812.247 altas hospitalares em 203, o abuso da anfetamina foi associado com AVE hemorrágico (Razão de chances ajustada [RC], 4,95), mas não com AVE isquêmico; abuso de cocaína foi associado com AVE hemorrágico (RC, 2,33) e isquêmico (RC, 2,03). O abuso de anfetamina, mas não de cocaína, foi associado com um maior risco de morte após o AVE hemorrágico (RC, 2,63).

Conhecimento adquirido com o estudo: O aumento no abuso de drogas estimulantes pode aumentar as taxas de admissões hospitalares para acidentes vasculares encefálicos em adultos jovens, assim como a mortalidade relacionada à AVE.

Força de evidência: (A)* - Estudo clínico prospectivo, transversal, observacional, baseado em uma população de pacientes que saíram de hospitais em uma região do oeste Americano. Metodologia e tratamento estatístico extenso, mas de boa qualidade. Os índices de razão de chances para anfetaminas e cocaína são bastante significativos, quando comparados com índices habituais de risco para essa patologia. Excelente aplicabilidade clínica.

Os autores são membros do Department of Psychiatry, Division of Epidemiology and Preventive Medicine, do Department of Internal Medicine and Department of Clinical Sciences, The University of Texas Southwestern Medical Center at Dallas e do Dallas–Fort Worth Hospital Council, Irving, Tex.