Análise secundária do estudo Treating to New Targets, examinando eventos cardiovasculares entre 3.800 adultos com idade de 65 anos ou mais, com doença cardíaca coronariana, os quais receberam randomicamente (duplo cego) ou 80mg ou 10mg de Atorvastatina. Os níveis de colesterol LDL foram reduzidos para 72mg/dL e 97mg/dL, respectivamente e o risco absoluto foi reduzido em 2,3% e o risco relativo em 19% para eventos cardiovasculares maiores em favor do grupo de alta dose de atorvastatina. Esses achados suportam o uso de tratamento intensivo para redução do colesterol LDL (abaixo de 100mg/dL) em pacientes idosos com doença cardiovascular estabelecida. In Wenger NK et al. Outcomes of Using High- or Low-Dose Atorvastatin in Patients 65 Years of Age or Older with Stable Coronary Heart Disease. Annals of Internal Medicine. July 3, 2007; 147(1): 1-9.
Primum non nocere
Hipócrates, ao redor do ano 430 aC, propôs aos médicos, no parágrafo 12 do primeiro livro da sua obra Epidemia: "Pratique duas coisas ao lidar com as doenças; auxilie ou não prejudique o paciente" - ou seja, primum non nocere - primeiro de tudo, não provoque nenhum dano.
quarta-feira, 4 de julho de 2007
Alta dose de Atorvastatina confere benefício adicional em pacientes idosos com doença cardíaca coronariana
quarta-feira, 21 de março de 2007
As estatinas reduzem a pressão arterial? Uma meta-análise de ensaios clínicos ramdomizados, controlados.
Strazzulo P, Kerry SM, Cappucio FP et al. Do Statins Reduce Blood Pressure? A Meta-Analysis of Randomized, Controlled Trials.
Hypertension April, 2007;49(4):792-798.
Objetivo do estudo: Determinar se o uso de estatinas tem algum efeito sobre a pressão arterial comparadas com placebo ou outros hipolipemiantes.
Metodologia: Estudo de meta-análise sobre o efeito dos inibidores da 3hidroxi - 3metilglutaril-coenzima A redutase (estatinas) sobre a pressão arterial em humanos, o qual incluiu ensaios clínicos randomizados e controlados de tratamento com estatinas. Foram avaliados 20 ensaios clínicos totalizando 828 pacientes. Um ponto importante na seleção dos estudos é que se existisse qualquer tratamento anti-hipertensivo concomitante a dose deveria permanecer inalterada ao longo de todo o seguimento do estudo.
Resumo dos resultados: Nos ensaios avaliados, 291 pacientes receberam estatinas e 272 apenas placebo em estudos do tipo grupos paralelos, enquanto que 265 participaram de estudos do tipo cruzado, recebendo uma estatina e placebo (ou probucol em 1 ensaio).
A pressão arterial sistólica foi significativamente menor em pacientes em uso de estatinas do que naqueles com placebo ou droga hipolipemiante de controle (diferença média: –1,9 mm Hg; 95% IC: –3,8 a –0,1). O efeito foi maior quando a análise foi restrita aos estudos com uma pressão arterial sistólica basal >
pressão arterial sistólica: –4,0; 95% IC: –5,8 a –2,2 mm Hg). Adicionalmente houve uma tendência para menor pressão arterial diastólica em pacientes recebendo tratamento com estatina comparados com tratamento controle: –0,9 mm Hg (95% IC: –2,0 a 0,2) considerando todos os pacientes e –1,2 mm Hg (95% IC: –2,6 a 0,1) nos estudos com uma pressão arterial diastólica basal >
Em geral, uma maior pressão arterial basal predisse um maior efeito das estatinas sobre a pressão arterial (P=0,066 para pressão arterial sistólica e P=0,023 pressão arterial diastólica). A resposta da pressão arterial às estatinas foi independente da idade, mudanças no colesterol sérico ou extensão do ensaio clínico.
Conhecimento adquirido com o estudo: O tratamento com estatinas tem um relativamente pequeno, mas estatisticamente significativo e clinicamente expressivo efeito sobre a pressão arterial, especialmente a pressão arterial sistólica acima de
Força de evidência: (A)* - Estudo clínico prospectivo do tipo meta-análise avaliando apenas ensaios clínicos randomizados, controlados, com desenhos do tipo paralelo e cruzado, contra placebo ou outra droga hipolipemiante. O detalhamento da pesquisa, critérios de inclusão e exclusão e análise técnica foram adequadamente descritos. Estudo de alta qualidade técnica e excelente tratamento estatístico.
Amostra populacional adequada e conclusões de acordo com os resultados obtidos. Excelente aplicabilidade clínica.
Os autores são membros do Department of Clinical and Experimental Medicine e do Clinical Sciences Research Institute,