Primum non nocere
Hipócrates, ao redor do ano 430 aC, propôs aos médicos, no parágrafo 12 do primeiro livro da sua obra Epidemia: "Pratique duas coisas ao lidar com as doenças; auxilie ou não prejudique o paciente" - ou seja, primum non nocere - primeiro de tudo, não provoque nenhum dano.
segunda-feira, 6 de outubro de 2008
Tiotropium (Spiriva(R)) no tratamento da doença pulmonar obstrutiva crônica
O brometo de tiotropium (Spiriva(R)) é um anticolinérgico com especificidade para receptores muscarínicos, indicado no tratamento de longo prazo da Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC), incluindo Bronquite Crônica e Enfisema. Vários estudos têm sustentado o seu emprego nessas condições patológicas.
Esse estudo, em particular, um ensaio clínico randomizado, duplo cego, controlado contra placebo, com seguimento por 4 anos, com uma amostra expressiva de pacientes (5.993), mostrou que o emprego dessa medicação promoveu melhora da função pulmonar e da qualidade de vida, com redução do número de exacerbações da doença, internações hospitalares e falência respiratória; entretanto, não ocorreu uma redução significativa na taxa de declínio do FEV1. Esse aspecto em particular não chega a comprometer o medicamento, mas deixa em aberto um importante elemento da DPOC que precisa ser controlado.
quinta-feira, 19 de abril de 2007
A segurança e eficácia od Infliximab na doença pulmonar obstrutiva crônica de moderada a severa.
Conhecimento prévio ao estudo: A doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC) é uma patologia pulmonar inflamatória, progressiva, relacionada ao fumo, na qual o fator de necrose tumoral alfa (TNF-alfa) está sobre expressado e tem sido sugerido que ele desempenha um importante papel na patogênese da doença. O infliximab, um anticorpo anti-TNF-alfa, poderia ter um benefício clínico, com aceitável segurança, em pacientes com DPOC de moderada a severa.
Estudo: Estudo prospectivo, longitudinal, multicêntrico, randomizado, duplo cego, placebo controlado, de grupos paralelos, com doses variáveis, conduzido em 234 indivíduos com DPOC de moderada a severa. Foram usadas doses de 3mg/Kg e 5mg/Kg de infliximab ou placebo por 24 semanas, com determinação dos resultados em 44 semanas.
Conhecimento adquirido com o estudo: Indivíduos com doença pulmonar obstrutiva crônica não se beneficiam com o tratamento com infliximab (tanto em parâmetros subjetivos quanto em testes objetivos). Embora não tenham significância estatística, mais casos de câncer e pneumonia foram observados nos indivíduos tratados com infliximab. O impacto dessa droga sobre o risco de malignidade em pacientes com DPOC necessita ser mais bem elucidado.
Força de evidência: (A)* - Metodologia de alta qualidade para ensaio clínico randomizado, duplo cego, controlado contra placebo. Tratamento estatístico adequado e controle de seguimento aceitável. Entre 20 a 27% dos indivíduos tratados com infliximab descontinuaram o estudo devido a eventos adversos comparado com 9% com o placebo. Excelente aplicabilidade clínica, mesmo considerando o resultado negativo do estudo.
Os autores principais são membros da University of Nebraska Medical Center,