Primum non nocere

Hipócrates, ao redor do ano 430 aC, propôs aos médicos, no parágrafo 12 do primeiro livro da sua obra Epidemia:
"Pratique duas coisas ao lidar com as doenças; auxilie ou não prejudique o paciente" - ou seja, primum non nocere - primeiro de tudo, não provoque nenhum dano.
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quarta-feira, 22 de outubro de 2008

Consumo moderado de cafeína não associado ao risco de câncer de mama

Ishitani K, Zhang SM et al. Caffeine consumption and the risk of breast cancer in a large prospective cohort of women. Arch Intern Med. 2008;168(18):2022-2031.


Dados históricos apontavam que o consumo pesado de cafeína estava associado com um risco aumentado de doença mamária benigna e que a cafeína poderia acelerar a progressão de formas agressivas do câncer de mama.

O presente estudo, análise de 10 anos do acompanhamento de 38.432 mulheres com mais de 45 anos de idade, dentre as quais foram identificados 1.188 casos de câncer de mama invasivos, mostrou que o consumo de cafeína e bebidas cafeinadas (cafés, refrigerantes e chás) não está associado com um risco aumentado para câncer de mama, incluindo consumo exagerado de mais de 4 taças de café diariamente.

Entretanto, em mulheres com doença mamária benigna prévia uma associação discretamente significativa para o risco de câncer de mama foi observada naquelas mulheres que estavam no grupo de mais alto consumo de cafeína e café, além de também se associar com risco de câncer de mama com receptores negativos para os hormônios femininos (estrógeno e progesterona) e com tumores maiores de 2 cm (fatores de pior prognóstico).

Portanto, em mulheres com mamas saudáveis o consumo mesmo exagerado de café não aumenta o risco para câncer de mama; entretanto, para aquelas que já têm algum tipo de distúrbio mamário benigno (nódulos prévios, displasia mamária, entre outros) o consumo de café e bebidas com cafeína deveria ser no máximo, moderado. O fato de aparecerem tumores de pior prognóstico naquelas de alto consumo de café ainda precisa ser melhor esclarecido, pode estar ocorrendo um erro de seleção em função de outras variáveis associadas.

Em resumo, esse estudo sugere que café e bebidas cafeinadas não estão relacionados com câncer de mama, mesmo em alto consumo, mas também não convém exagerar.

sexta-feira, 22 de agosto de 2008

Tibolona diminui fraturas e câncer de mama, mas dobra o risco de Acidente Vascular Cerebral


Cummings SR et al. The Effects of Tibolone in older Postmenopausak Women. NEJM. August 14, 2008; 359(7):697-708.

A Tibolona (Livial(R)) atualmente está aprovada em 90 países para tratar sintomas da menopausa e em 45 países para tratar osteoporose, entretanto, ainda não está aprovada nos EUA. Trata-se de um regulador sintético seletivo da atividade estrogênica tecidual (STEAR) e é sabido que previne perda óssea, entretanto, seus efeitos sobre fraturas, câncer e doença cardiovascular ainda não são conhecidos.
O ensaio clínico Long-Term Intervention on Fractures with Tibolone (LIFT) foi conduzido com 4.538 mulheres, entre 60 e 85 anos de idade, as quais foram randomizadas para receber 1,25mg de tibolona diariamente ou placebo.
Esse estudo teve que ser suspenso prematuramente em função de um claro aumento no risco de Acidentes Vasculares Cerebrais (AVC).
Durante um seguimento médio de 34 meses de tratamento, as mulheres em uso de tibolona tiveram uma redução significativa no risco de fratura vertebral e não vertebral, assim como câncer de cólon e mama. Porém, elas também tiveram um aumento no risco absoluto para AVC de 2,3 por 1.000 pessoa-ano e mais do que o dobro na chance relativa de AVC. Também houve uma tendência para uma maior incidência de câncer de endométrio em mulheres com útero.
Outros efeitos, comuns na combinação hormonal de estrógenos e progesterona como ganho de peso, metrorragia e infecção e desconforto mamário foram similares com a droga.
Atenção, portanto, em mulheres com fatores de risco para AVC ou mesmo para aquelas mais idosas, as quais não deveriam usar tibolona.


quinta-feira, 12 de julho de 2007

Atualizações em pílulas!

- Produtos pró-bióticos reduzem a diarréia associada com antibióticos: Ensaio clínico randomizado, duplo cego e controlado contra placebo, reunindo 135 pacientes hospitalizados (idade média de 74 anos), os quais receberam ou 100g de iogurte contendo Lactobacillus casei, L bulgaricus e Streptococcus thermophiluss ou placebo, 2x ao dia, durante o curso dos antibióticos e por até uma semana após o seu término. O uso de pró-bióticos reduziu a ocorrência de diarréia associada com antibióticos de 34% para 12% e diarréia por C difficile de 17% para 0%. Portanto, o uso desse tipo de pró-biótico pode reduzir a morbidade, custos de saúde e mortalidade em pacientes com mais de 50 anos.

In BMJ June 29, 2007 (e-Pub ahead to print).

- Um terço dos cânceres de mama são tratados tarde demais porque afetam a mulheres com menos de 45 anos: Nesse grupo etário, usualmente não se realizam exames de rotina, como mamografia. Entretanto, há recomendação expressa que se façam exames específicos, incluindo Ressonância Magnética, em pessoas com menos de 40 anos de idade com antecedentes diretos ou familiares de pacientes com câncer de mama. Há importantes observações sobre os aspectos dietéticos, com aumento da incidência onde o consumo de carnes e gorduras seja maior comparado com regiões onde o consumo de verduras e carne magra é predominante.

In http://db.doyma.es/cgi-bin/wdbcgi.exe/doyma/press.plantilla?ident=50070&mail=Si.

- Aprovado pelo FDA um teste rápido para o diagnóstico da Malária: O BinaxNow® Malaria é o primeiro teste diagnóstico rápido para malária, detectando antígenos circulantes específicos, autorizado pelo FDA. O teste detecta dois diferentes antígenos para malária: o antígeno de Plasmodium falciparum e uma aldolase encontrada em todas as 4 espécies de malária humana. Embora o teste possa identificar o P. falciparum, ele não pode distinguir entre Plasmodium vivax, Plasmodium ovale ou Plasmodium malariae ou detectar infecções mistas. De qualquer forma ele identifica se está presente uma forma de infestação pelo Plasmódio, suficiente para se iniciar o tratamento até a identificação final do agente específico. In http://www.cdc.gov/mmwr/preview/mmwrhtml/mm5627a4.htm?s_cid=mm5627a4_e%0A

sexta-feira, 6 de abril de 2007

A TRH em doses mínimas é um tratamento seguro e eficaz para aliviar os sintomas menopáusicos

Hernández JAFT. – Conferência na Real Academia Nacional de Medicina – Espanha: Estrógenos: Amigos o enemigos. Cite in Jano On-line, 03/04/2007.

Artigo de revisão: Resumo de artigo com total fidelidade ao texto original dos autores.

A terapia de reposição hormonal (TRH) é um tratamento benéfico, seguro e eficaz para o alívio dos sintomas menopáusicos. O autor analisou os estudos realizados com relação aos efeitos negativos desses tratamentos e relatou dados que confirmam os benefícios dos estrógenos, tanto ao nível vascular como de estrutura óssea, da pele e do sistema imunológico.

Uma alta percentagem de mais de 8 milhões de mulheres Espanholas com mais de 50 anos de idade, idade média na qual aparecem os sintomas da menopausa, experimentam uma deterioração na sua qualidade de vida associado a essa fase da vida. Em geral, a TRH estaria indicada naquelas mulheres que não tem antecedentes de câncer de mama, para as quais se recomenda que iniciem o tratamento durante a perimenopausa, já que se iniciarem mais tarde podem vir a ter problemas a nível vascular.

As mulheres tratadas com TRH melhoram os sintomas associados ao déficit de estrógenos, como os fogachos, sudorese noturna e segura vaginal e adicionalmente experimentam uma melhora da qualidade de vida. Os estudos disponíveis mostram que estas mulheres têm um risco menor de osteoporose e um maior controle de alguns sintomas cardiovasculares.

Uma das maiores preocupações das mulheres com relação à TRH é a aumento do risco para o câncer de mama. Entretanto, tem sido mostrado que durante os cinco primeiros anos de tratamento, nenhuma mulher aumentou o risco desse tumor. Não é a mesma coisa administrar estrógenos conjugados eqüinos por via oral, que estão associados progestágenos sintéticos, como é feito nos EUA, que dar estrógenos por via transdérmica com progesterona natural, como é feito na Europa, o qual não aumenta o risco de câncer.

Sob essa forma de administração (transdérmica) não existe aumento do risco de câncer de mama nem da proteína C reativa, a qual pode ter importância nos problemas cardiocirculatórios.

O autor responsável é membro da Universidade Complutense de Madrid, Espanha.

quarta-feira, 28 de março de 2007

Avaliação com IRM da mama contralateral em mulheres com câncer de mama recentemente diagnosticado

Lehman CD, Gatsonis C, Schnall MD et al from ACRIN Trial 6667 Investigators Group. MRI Evaluation of the Contralateral Breast in Women with Recently Diagnosed Breast Cancer. New England Journal of Medicine. March 29, 2007;356(13):1295-1303.

Conhecimento prévio ao estudo: Mesmo após cuidadosa avaliação clínica e mamográfica, câncer é encontrado na mama contralateral em até 10% das mulheres que receberam tratamento para câncer de mama unilateral.

Objetivo do estudo: Determinar se o exame de imagem por ressonância magnética (IRM) poderia melhorar o exame clínico da mama e a mamografia na detecção de câncer de mama contralateral logo após o diagnóstico inicial de câncer de mama unilateral.

Metodologia: Estudo clínico prospectivo, longitudinal, de uma coorte de 969 mulheres com um diagnóstico recente de câncer de mama unilateral e sem anormalidades no exame clínico e mamográfico da mama contralateral, as quais foram submetidas a exame de imagem por ressonância magnética da mama. O diagnóstico de câncer detectado por IRM foi confirmado por meio de biópsias dentro de 12 meses após a entrada no estudo. A ausência de câncer de mama foi determinada por meio de biópsias, ausência de achados positivos em imagens repetidas e exame clínico, ou ambos ao final de 1 ano de seguimento.

Resumo dos resultados: A IRM detectou câncer de mama clinica e mamograficamente oculto na mama contralateral em 30 das 969 mulheres que participaram do estudo (3,1%). A sensibilidade da IRM na mama contralateral foi de 91% e a especificidade foi de 88%. O valor preditivo negativo da IRM foi de 99%. Uma biópsia foi realizada com base nos achados positivos da IRM em 121 das 969 mulheres (12,5%), 30 das quais tinham espécimes que foram positivos para câncer (24,8%), sendo que 18 desses 30 espécimes foram positivos para câncer invasivo. O diâmetro médio dos tumores invasivos detectados foi de 10,9 mm. O número adicional de cânceres detectados não foi influenciado pela densidade da mama, condição de menopausa ou padrões histológicos do tumor primário.

Conhecimento adquirido com o estudo: O exame de imagem por ressonância magnética pode detectar câncer na mama contralateral, não detectável por exame clínico ou mamografia ao tempo do diagnóstico inicial do câncer de mama.

Força de evidência: (A)* - Estudo clínico prospectivo, longitudinal, de coorte, de metodologia original e com boa qualidade técnica. Praticamente ausência de perda de seguimento em um período adequado de follow-up. Tratamento estatístico de excelente qualidade. Excelente aplicabilidade clínica.

Os autores principais são membros da University of Washington Medical Center, Seattle, da Brown University, Providence, RI e da University of Pennsylvania Medical School, Philadelphia. Autor responsável: Dr. Lehman – lehman@u.washington.edu.